sexta-feira, 18 de outubro de 2019


A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO
DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA
Thomas D. Ross

A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO
DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA



I. INTRODUÇÃO E PRESSUPOSIÇÕES

A Bíblia ensina a preservação verbal e plenária dos autógrafos inspirados (Salmos 12:6-7). Ademais, ela afirma a disponibilidade perpétua das palavras preservadas de Deus para todas as gerações de crentes (Isaías 59:21). Israel era o guardião das Escrituras na dispensação Mosaica (Atos 7:38, Romanos 3:2), enquanto que a Igreja tem esta responsabilidade no Novo Testamento (Mateus 28:18-20). A Igreja, como a depositária das Palavras de Deus (I Timóteo 3:15), guiada pelo Espírito Santo (João 16:13), reconheceu e recebeu (João 17:8) as palavras de Deus como elas foram dadas por Cristo seu Salvador. 
Crentes podem ter a confiança de que as palavras da Escritura, e, como uma necessária consequência, os livros da Escritura, e esses somente, constituem o depósito da infalível revelação que forma sua plena autoridade para a fé e a prática (2 Timóteo 3:15-17) e sobre a qual eles serão julgados (João 12:48), porque o Espírito guia a Igreja a aceitar essas palavras, e não outras, como a Palavra de Deus 1.
A Igreja de Cristo é uma assembleia autônoma de crentes batizados, organizados para executar a obra do Senhor 2. A única “igreja” universal na Bíblia é a meretriz da Babilônia, o sistema religioso que irá dominar o mundo no período da Tribulação (Apocalipse 17) – ainda que todos os crentes constituam a família universal de Deus (Gálatas 3:26), a Igreja de Cristo é local e visível, e a entrada nela é através do batismo (I Coríntios 12:13). Igrejas não são subordinadas a qualquer hierarquia, e os únicos oficiais são de forma congregacional eleitos pastores e diáconos 3. Consequentemente, todas as organizações religiosas que empregam modelos episcopais ou presbiterianos não são igrejas de Cristo. Aquelas que ensinam regeneração batismal, como o catolicismo e a maioria das denominações protestantes 4, também são anátemas (Gálatas 1:8-9), e não podem constituir a Igreja.
Como apenas crentes (Atos 2:38, 8:36-38, Marcos 16:16) são imergidos (Romanos 6:3-5, Colossenses 2:12) no batismo do Novo Testamento (NT), sociedades que praticam o “batismo” infantil não são congregações do Senhor. Além disso, desde que o Filho de Deus prometeu à Sua igreja sucessão ininterrupta desde a sua fundação (João 1:35 ss.) até o fim dos tempos (Mateus 16:18), e somente a igreja tem autoridade para batizar (Mateus 28:19) 5,  assembleias religiosas sem nenhuma afiliação histórica com a linha das igrejas de Cristo não são o corpo de Cristo. Essas estipulações eclesiásticas bíblicas requerem a conclusão de que somente entre as igrejas agora denominadas “batistas” é encontrada a congregação do Senhor 6, pois somente elas ensinam Sua doutrina e possuem uma sucessão desde a igreja de Jerusalém fundada pelo Salvador até o presente.
Como as igrejas batistas são as igrejas de Cristo, um exame do tipo de texto que elas historicamente tem aprovado resolverão, para aqueles que aceitam os pressupostos divinamente bibliológicos e eclesiológicos decretados, a atual controvérsia sobre a correta linguagem dos textos originais das Escrituras e suas respectivas traduções [para o inglês]. Como o Espírito Santo levou as igrejas de Cristo e os crentes a aceitar as genuínas palavras de Deus e rejeitar corrupções (João 17: 8, Apocalipse 22:18-19), a aceitação batista do Textus Receptus (TR) 7, o tipo de texto Hodges-Farstad (comumente denominado “Texto Majoritário” (MT), uma convenção que será seguida aqui, embora não seja estritamente precisa) 8, ou o tipo de texto crítico moderno (TC) 9, juntamente com traduções baseadas nessas fontes das línguas originais, dirão ao crente onde ele pode encontrar a Bíblia perfeita que Deus lhe prometeu.
Embora um exame de grupos batistas pré-reforma como os valdenses também seja pertinente a este estudo 10 um foco mais restrito na reforma e pós-reforma dos batistas serão mantidos aqui. Se os batistas universalmente 11 usaram um dos três tipos de texto mencionados acima desde o início da era protestante e por séculos subsequentes, esse texto deve constituir a Palavra de Deus preservada. O Senhor prometeu para a Sua igreja a disponibilidade perpétua dos oráculos inspirados e o Espírito Santo tendo garantido sua aceitação perpétua pelos santos, a igreja não pode ter negligenciado o verdadeiro texto da Bíblia por centenas de anos.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira

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1. Como este trabalho é um estudo histórico, a demonstração dos postulados mencionados neste parágrafo não será aprofundada. Ver Thou Shalt Keep Them, ed. Kent Brandenburg (El Sobrante, Califórnia: Pilar e Ground Publishing, 2003) para uma justificativa para o livro.
2. Para uma exposição detalhada da eclesiologia desenvolvida neste parágrafo, consulte Landmarks of Baptist Doctrine, vol. 4, Robert J. Sargent, Oak Harbor, WA: Bible Baptist Church Publications, 1990, pgs. 481-596. Essa posição doutrinária é tradicionalmente conhecida por Landmarkismo.
3. Cada igreja tem poder supremo sobre seus membros e outras decisões (Mateus 18: 15-18, 1 Coríntios 5). Apenas dois oficiais da igreja aparecem nas Escrituras (Filipenses 1:1,1 Timóteo 3). “Pastor” (poimen), “ancião” (presbuteros) e “bispo” ou “superintendente” (episcopos) se referem ao mesmo ofício; em 1 Pedro 5:1-2, os anciãos (presbuteros) devem “alimentar” (poimanate) o rebanho (poimnion), tendo a “supervisão” (episkopountes). Em Atos 20:17,28, Paulo discursa aos “presbíteros” da igreja em Éfeso e exorta-os a prestar atenção ao "rebanho" (poimnio) sobre o qual o Espírito Santo os fez “superintendentes” (episkopous). Em Tito 1:5-7, cada um dos “presbíteros” é um “bispo” (episkopon).
4. O catolicismo afirma que “Pelo batismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado” (seção 1263, pág. 321, Catechism of the Catholic Church, Paulist Press: Mahwah, NJ: 1994. Ênfase no original.) E que “O próprio Senhor afirma que o batismo é necessário para a salvação” (seção 1257, pág. 320, Catholic Catechism). Martinho Lutero chamou o batismo de “um novo nascimento pelo qual somos. . . libertos do pecado, da morte e do inferno, e se tornam filhos da vida, herdeiros de todos os dons de Deus, filhos de Deus e irmãos de Cristo” (Luther, Works, 53:103). Martinho Lutero compôs o Catecismo Menor Luterano, que afirma que o batismo “opera a remissão dos pecados, livra da morte e do diabo e dá a salvação eterna a todos quantos creem, conforme dizem as palavras e promessas de Deus”. (IV) A confissão de fé anglicana e episcopal, os 39 Articles of Religion, declara no artigo 27 que “o batismo não só é sinal de profissão e marca de diferença com que se distinguem os cristãos dos que o não são, mas é também sinal de regeneração, ou novo nascimento, em que este sinal, como por instrumento, os que recebem devidamente o batismo são enxertados na Igreja; as promessas da remissão de pecados e da nossa adoção de filhos de Deus pelo Espírito Santo, são visivelmente anunciadas”. Se o batismo é um “selo” do perdão dos pecados, é assim que os pecados são perdoados. Posto que “batizados e nascidos de novo” (artigo 15). Além disso, o Livro Anglicano de Oração Comum (Nova York, NY: Church Pension Fund, 1945, págs. 270, 280) ordena ao sacerdote que ore, imediatamente antes do batismo, “Dê teu Espírito Santo a esta criança, para que ela nasça de novo e se torne herdeira da salvação eterna”, e depois de administrar a água, agradecer a Deus que se agradou “em regenerar esta criança com o teu Espírito Santo, para recebê-la como teu próprio filho e incorporá-lo na tua santa Igreja”. João Wesley, o fundador do Metodismo, era um sacerdote anglicano e os 39 artigos anglicanos que ensinavam salvação pelo batismo, foram endossados ​​por ele e sua denominação. Comentando João 3:5, Wesley afirmou: “A menos que se um homem nascer da água e do Espírito, a menos que ele experimente essa grande mudança interior pelo Espírito, e seja batizado (onde quer que o batismo possa ser realizado) como o sinal externo e meios dele [ele não pode entrar no reino de Deus]”. Ele declara aqui que o batismo é o meio para o novo nascimento. Ele também declarou: “É certo que nossa Igreja presume que todos os que são batizados na infância são ao mesmo tempo nascidos de novo; e é permitido que todo o ofício para o batismo de crianças prossiga com essa pressuposição” (pág. 128, The Theology of John Wesley, William R. Cannon, Nova York, NY: Abingdon- Cokesbury Press, 1946). Seu irmão, o escritor metodista de hinos Charles Wesley, escreveu contra os Batistas, “Partidários de uma seita tacanha / Confessam sua crueldade / Em rejeitar desumanamente / A quem Jesus abraçaria / Ao impedir seus pequeninos / Mas deixem que venham para o derramar da água batismal  /  Que venham a Cristo para serem salvos /  E juntar-se à Igreja de Deus” (Charles Wesley's Journal, 18 de outubro de 1756, 2: 128). João Calvino, essencialmente o fundador das igrejas presbiterianas e reformadas, diz que “Deus, nos regenerando no batismo, nos introduz na comunhão de sua Igreja e nos torna seus por adoção” (Institutes, 4:17:1), e A Segunda Confissão Helvética Reformada declara que “ser batizado em nome de Cristo é estar inscrito, incorporado e recebido na aliança e na família, e assim na herança dos filhos de Deus. . . ser purificado também da imundície dos pecados. . . Deus . . . nos adota para sermos filhos dele, e por uma aliança santa se une a nós para si mesmo. . . todas essas coisas são asseguradas pelo batismo. . . . Condenamos os anabatistas, que negam que os recém-nascidos dos fiéis sejam batizados” (artigo 20).
5. Deus deu a João o Batista autoridade celestial direta para imergir (Mateus 21: 23-27). João batizou aqueles que receberam o evangelho sob seu ministério, incluindo os apóstolos e outros crentes dos quais Cristo organizou Sua igreja. Em Mateus 28:17-20, o Senhor Jesus deu a Grande Comissão, incluindo a autoridade para batizar até o fim dos tempos, à igreja. Ele nunca deu esse comando a nenhum outro indivíduo ou instituição; portanto, ninguém pode administrar o batismo genuíno, além da autoridade de uma congregação já constituída.
6. Certamente, isso não representa uma sucessão do nome “Batista”, apenas das assembleias assim denominadas hoje - elas receberam nomes diferentes historicamente, de “Cristãos” no primeiro século a “Anabatistas”, “Cátaros” e “Valdenses” e outros. Isso também não significa que toda assembleia que assume o rótulo de “Batista” é uma igreja verdadeira (2 Coríntios 11:14).
7. A referência ao tipo de texto conhecido hoje como Textus Receptus ou Texto Recebido é aqui utilizada. O fato, muitas vezes mencionado pelos opositores do TR, de que a frase não existia até o século XVII é irrelevante. Poder-se-ia afirmar também que não havia seres humanos na Inglaterra até os últimos séculos porque, até o estágio necessário de desenvolvimento da língua inglesa, o homo sapiens era chamado de outra coisa.
8. A frase “Texto Majoritário” é imprecisa, porque nunca foi feita nenhuma compilação real de todos os manuscritos gregos (MSS). Embora existam mais de 5.000 MSS do Novo Testamento, o texto de Hodges-Farstad e o texto de Robinson-Pierpont são baseados no aparato de von Soden, que foi um agrupamento de apenas algumas centenas de MSS. Além disso, o agrupamento de von Soden é de precisão muito questionável. Como afirma Wilbur Pickering, em defesa do “Texto Majoritário”, “uma vez fui levado a acreditar que o trabalho de von Soden era minimamente confiável. Isso foi importante porque seu trabalho é subjacente às edições Hodges-Farstad e Robinson-Pierpont do Texto Majoritário. No entanto, os agrupamentos Text und Textwert demonstram objetivamente que, com pouca frequência, Soden está seriamente incorreto. As compilações de Maurice Robinson sobre o Pericope Adulterae demonstram objetivamente que Soden está seriamente errado lá. Com referência ao tratamento de Soden do códice 223. . . Um erro de 27% é demais e o que é verdade no MS 223 também pode ser verdade em outros MSS. . . . Por mim mesmo, devo reconsiderar as evidências de todo o Novo Testamento” (Hebraious: Introduction to the book of Hebrews in a new collation, Wilbur Pickering). Mais tarde, na introdução de seu novo agrupamento, Pickering também declara: “Se um agrupamento completo estiver disponível. . . [Eu estimo a seguinte] margem de erro. . . no meu [novo] aparato”. O Texto Majoritário real não existe, e as diferentes edições impressas que seguem o título discordam entre si. Além disso, há lugares em que o “Texto Majoritário” impresso segue uma minoria do MSS grego. Pickering, em suas traduções em http://walkinhiscommandments.com, documenta que em 2 Timóteo 3:7, o Textus Receptus, o Hodges-Farstad, o Robinson-Pierpont e os textos críticos modernos, todos leem Mwusei com 30% dos MSS gregos, enquanto Mwush tem 60% dos MSS gregos (e Mwsei tem 10%). Aqui, uma variante majoritária não é encontrada em nenhum texto impresso. Pickering também documenta que em Efésios 5:21 o Textus Receptus segue cerca de 70% dos MSS com a leitura en fobw qeou enquanto o TC/UBS e as duas edições do texto impresso “Majoritário”, Hodges/Farstad e Robinson/Pierpont, contêm en fobw Cristou, que possui cerca de 30% de suporte (enquanto duas outras leituras têm suporte muito limitado ao MSS). Pickering também comenta o livro de Apocalipse: “Muito cedo (provavelmente no século II), três principais linhas independentes de transmissão se desenvolveram e, então, uma variedade de alterações nesses fluxos. Portanto, existem cerca de 150 conjuntos de variantes em que nenhuma leitura recebe até 50% de atestado e outros 250 conjuntos em que o atestado numérico mais forte fica abaixo de 60%. Nesses 400 lugares para falar de um texto de 'maioria' não é convincente [.]” Pickering estabelece seus próprios critérios preferenciais e depois conclui que ele “não está ciente de uma única tradução baseada em [o que Pickering acha que é o melhor/mais próximo do texto “Maioria/Original” do Apocalipse]”. O Textus Receptus tende a seguir a maior dessas três divisões em Apocalipse, mas esse agrupamento nem sempre representa a maioria real dos MSS. Hoskier declarou, a respeito do texto do TR de Apocalipse: “Posso afirmar que, se Erasmus tivesse se esforçado para encontrar um texto sobre o maior número de MSS [manuscritos] existentes no mundo de um tipo, ele não poderia ter tido mais sucesso” (citado em pág. 16, J.A Moorman, When the KJV Departs from the “Majority” Text, 2ª edição, Collingswoord, NJ: Bible For Today, 1988). Moorman conclui: “Aqui está um exemplo poderoso da providência orientadora de Deus na preservação do texto de Apocalipse” (ibid, pág. 26). No entanto, em Apocalipse, o Textus Receptus está em uma variedade de lugares, seguindo o que é menos de 50% do MSS grego. Assim, quem segue um “Texto Majoritário” impresso em vez do Textus Receptus está seguindo um texto que não representa a maioria real dos MSS gregos, que ainda não foram catalogados, e que não foi traduzido para os idiomas do mundo. O “Texto Majoritário”, em cerca de 1% dos lugares onde difere do Textus Receptus, não se encaixa no modelo das Escrituras para a preservação do texto. (cf. também o artigo “Errors in the King James Version? A Response to William W. Combs, de Detroit Baptist Seminary”, Jeffrey Khoo. The Burning Bush (15:2, julho de 2009) 101-127 para um exame dos “melhores” exemplos de lugares onde o TR ou a KJV contém alegados erros de texto ou tradução).
9. É digno de nota que o texto crítico às vezes segue leituras que não são encontradas em nenhum MS grego conhecido na face da terra, de modo que não apenas rejeita o pressuposto bíblico da disponibilidade das Escrituras (Mateus 4:4; Isaías 59:21 ; Apocalipse 22:18-19), mas mesmo o fato fundamental da própria preservação verbal e plenária (Salmo 12: 6-7; Mateus 24:35). Em Lucas 3:33, o Textus Receptus, com 99% + de evidências de MS, lê-se tou Aram. Se alguém rejeitar mais de 99% da evidência dos MSS, existem MSS únicos que fornecem 6 leituras alternativas. O TC reúne a primeira parte da leitura de Aleph e a primeira parte da leitura de B para criar algo em nenhum MSS grego em nenhum lugar, tou Admin tou Arni. Então, rejeita a leitura de 99% + como corrompida. Também cria uma nova pessoa (quem no mundo é "Arni"?). Assim, a posição do TC nem é consistente com a visão biblicamente insuficiente de que todas as palavras de Deus são preservadas em algum lugar em pelo menos um manuscrito grego.
10. Os batistas pré-reforma usavam o Textus Receptus. Ver Rome and the Bible: Tracing the History of the Roman Catholic Church and its Persecution  of the bible and of Bible Believers, David Cloud, Oak Harbor, WA: Way of Life Literature, 1997, 2ª ed., Págs. 29-30, Crownded With Glory and Honor, Thomas Holland, capítulo 3, “Testimony Through Time”; Our Authorized Bible Vindicated, Benjamin Wilkinson, capítulo 2, “The Bible Adopted by Constantine  and the Pure Bible of the Waldenses”, Answers to Objections to our Authorized Bible Vindicated, Benjamin Wilkinson, capítulo 3, “The Itala and the Bible of the Waldenses”, Robert L. Webb, The Waldenses and the Bible, Carthage, IL: Primitive Baptist Library, n.d. (disponível em http://members.aol.com/dwibclc/waldbib.htm). Os valdenses, por exemplo, acreditavam que “João, 1a Epístola 5:7, [escreveu]: ...três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (“Exposition on the Creed, Confirming the Articles Thereof by Express Passages of the Scripture”, History of the Old Albigenses Anterior to the Reformation, Jean Paul Perrin, livro 3, capítulo 3, pág. 331. elec. acc. In the série AGES Christian Library Series, Vol. 20, Biblical and Church History Collection. Rio, WI: 2006). O documento Pauliciano The Key of Truth cita Atos 8:37 (p. 77, Fred C. Conybeare, ed. and trans., The Key of Truth (Oxford: At the Clarendon Press, 1898), citado na pág. 77, I Will Build My Church: The Doctrine and History of Baptists, Thomas M. Strouse, 3.ª ed. Newington, CT: Emmanuel Baptist Theological Press, 2001). Os valdenses empregaram o Textus Receptus, como evidenciado pelo Codex Teplensis (págs. 78-79, I Will Build My Church, Thomas Strouse). Os Albigenses usaram o tipo de texto em latim antigo europeu, que é uma tradução ampla do TR (e não, tanto quanto o latim antigo africano, parte da supostamente existente família “ocidental”), em vez da Vulgata católica latina na Idade Média, como evidenciado pelo antigo códice latino C do século XIII (cf. “Latin Version, the Old”, T. Nicol, na International Standard Bible Encyclopedia (gen. ed. James Orr. Orig. pub. Eerdmans, 1939; elec. acc. Online Bible for Mac software, Ken Hamel). Embora a validação seja impossível no século XXI, é digno de nota que certos anabatistas do século XVI afirmaram que possuíam os autógrafos de alguns livros do Novo Testamento: “[Nós] temos informação, que até hoje existem irmãos e cristãos em Tessalônica, que concordam com os [anabatistas] em todos os artigos de religião, também no batismo, dois dos quais ainda estavam no tempo de nossos pais, com os irmãos na Morávia, e depois também na Holanda, e tiveram comunhão com os irmãos, que declararam expressamente que ainda preservavam em boas condições, em Tessalônica, os originais das duas epístolas de Paulo aos tessalonicenses. Da mesma forma, muitos de seus irmãos ainda estavam vivos, espalhados aqui e ali na Etiópia, Grécia e outros países orientais, bem como outros cristãos, que, como eles, foram preservados por Deus e permaneceram na mesma doutrina e na verdadeira prática do batismo, constantemente desde o início dos apóstolos até hoje. . . . Afirmaram ainda que a igreja de Deus em Tessalônica permaneceu inalterada na fé desde o tempo dos apóstolos e que ainda preservavam em boas condições as cartas que o apóstolo Paulo lhes escreveu com suas próprias mãos” (pág. 366, The Bloody Theater or Martyr's Mirror. Thieleman J. Van Braght, trad. Joseph F. Sohm. 2º. Eng. ed. Scottdale, PA: Herald Press, 1999).
11. O uso “universal” de um tipo de texto, conforme empregado neste artigo, não significa que todo batista, desde o menor bebê até o santo mais experiente, em todas as partes do globo, tenha exatamente a mesma visão textual. Refere-se ao uso textual geral, abrangente ou onipresente. O sentido da palavra é semelhante àquele em que se pode falar em aceitação “universal” dos princípios da gravidade ou de uma terra redonda; essas opiniões são geralmente aceitas pela humanidade, apesar da possibilidade de que certos selvagens em ilhas remotas não os conheçam.

A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO
DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA



II. CONFISSÕES BATISTAS EMPREGAM O TEXTUS RECEPTUS

Os documentos confessionais indicam, de uma maneira única, as crenças universalmente sustentadas daqueles que as adotam ou empregam. Como os batistas aceitam as Escrituras como o único fundamento legítimo da fé e da prática, as afirmações dogmáticas de suas confissões são frequentemente conjugadas com textos de prova. Essas referências, juntamente com as alusões textuais encontradas nas próprias declarações confessionais, iluminam a posição textual das igrejas confessantes 12. Como os versos empregados nas citações de provas foram considerados os melhores para substanciar o dogma então confessado, citações do TR, TM ou variantes do TC, ou alusões a leituras textuais distintas dentro do corpo da confissão, indicam aceitação eclesiástica da canonicidade do tipo de texto empregado. Se um versículo ou passagem em particular não fosse universalmente aceito, ele não apareceria na literatura confessional - versículos indiscutíveis poderiam ser facilmente substituídos. Veremos que as confissões batistas 13 das eras da Reforma e pós-Reforma empregam apenas o Textus Receptus, em vez do TC ou TM, indicando a aceitação universal desse texto nesta era da história da igreja.
As primeiras igrejas anabatistas continentais empregavam o Textus Receptus. A amplamente aceita Confissão de Schleitheim de 1527, a base para várias confissões anabatistas posteriores, emprega o final “longo” de Marcos (16:9-20) como um texto de prova contra o batismo infantil 14 e faz referência ao pericope adulterae (João 7:53; 8:11)15. Um livro anabatista contemporâneo sobre a ordem da igreja também apoia o longo final de Marcos 16. A Confissão Waterland de 1580, feita por menonitas imersionistas, cita 1 João 5:7 como um dos únicos dois versículos listados no artigo dois sobre trinitarianismo, demonstrando uma forte suposição de sua autenticidade, e cita o versículo novamente no próximo artigo 17. Refere o final longo de Marcos oito vezes 18, cita Atos 8:37 19, e apoia, no texto da confissão, tanto o TR lendo “o Filho do Deus vivo” (o TC diz: “Santo de Deus”) em João 6:69 20 e o TRda sua carne, e dos seus ossos” (omitida no TC) em Efésios 5:30 21. O texto recebido era a Bíblia da era da Reforma do anabatismo continental.
Os primeiros batistas ingleses também empregavam o Textus Receptus. Thomas Helwys, o primeiro batista geral inglês, compôs o que é frequentemente “julgado a primeira Confissão de Fé Batista Inglesa” 22, a Declaração de Fé de 1611 dos Ingleses que Permaneceram em Amsterdã, na Holanda. A primeira sentença do primeiro artigo faz referência a 1 João 5:7 23; o trinitarianismo derivado desse versículo exclusivo do TR é a fonte da qual flui o restante da confissão. Também cita o longo final de Marcos duas vezes 24, e emprega o versículo exclusivo do TR, Atos 8:37, como o único apoio ao batismo em uma confissão de fé 25. Alguns dos associados de John Smyth compuseram Propositions and Conclusions concerning True Christian Religion em 1612, uma obra ainda referenciada pelos batistas gerais ingleses em 1651, que também chegou à América 26. Esse credo faz referência a 1 João 5:7 e duas vezes escreve o versículo no texto da confissão 27, e cita apenas Marcos 16:9 para apoiar a ascensão de Cristo à destra de Deus após Sua ressurreição, demonstrando absoluta confiança no longo final de Marcos 28. Foi dito que “talvez nenhuma Confissão de Fé tenha tido uma influência tão formativa na vida batista” 29 como a Confissão de Fé Batista Particular de 1644. Cita Atos 8:37 30 e o final longo de Marcos 31. Ele apoia a leitura do TR que valida a divindade de Cristo em Atos 20:28, “a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue32. Ele apoia a declaração do Texto Recebido de que Cristo “lavou [o TC diz: “nos libertou”] de nossos pecados” em Apocalipse 1:5 33 e a leitura do TR “acrescentava o Senhor à igreja [o TC diz: “lhes acrescentava”]” em Atos 2:47 34. A Confissão da Associação Batista Geral de 1651, The Faith and Practice of Thirty Congregations, Gathered According to the Primitive Pattern, emprega 1 João 5:7 35, e constroem um ponto doutrinário exclusivamente no TR com Atos 8:37 36. A confissão batista de 1654 The True Gospel-Faith Declared According to the Scriptures faz referência o longo final de Marcos 37. A Confissão Batista da Midland Association de 1655 cita 1 João 5:7 em seu texto - é o primeiro versículo mencionado na Confissão e o único listado em apoio ao trinitarianismo 38. A Confissão de Somerset de 1656 39 cita Marcos 9:44 40. As primeiras confissões batistas inglesas empregam uniformemente o Texto Recebido.
As confissões batistas inglesas subsequentes também apoiam unanimemente o Textus Receptus. A Confissão Batista Geral Standard 41 escrita em 1660 e aceita pela denominação por muitos anos subsequentemente, cita apenas Marcos 16:15 42 para apoiar a pregação universal do evangelho, escreve 1 João 5:7 em seu texto 43, e apoia com Lucas 24:51 44 a doutrina (não explicitamente declarada na narrativa do TC , com Marcos 16:19 e Lucas 24:51 eliminados, uma tremenda mudança doutrinária) da ascensão de Cristo ao céu após Seus quarenta dias de aparições pós-ressurreição. A Segunda Confissão de Fé Batista Particular de Londres, originalmente impressa em 1677 e muitas vezes reeditada desde então até a era moderna, a “confissão mais influente entre os Batistas Particulares, Calvinistas ou Reformados desde aquela época. . . a Confissão mantida pela maioria das igrejas batistas reformadas hoje” 45, emprega a linguagem e faz referência a 1 João 5:7 para provar o trinitarianismo 46, ​​faz referência ao longo final de Marcos três vezes 47, apoia a leitura do TR “filho unigênito [o TC diz: “Deus unigênito]” em João 1:18 48, apoia a  doutrina cristológica da communicatio idiomatum 49 usando apenas as leituras do TR “igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” e “filho do homem, que está no céu” em Atos 20:28 e João 3:13, e apoia a necessidade de uma profissão de conversão antes do batismo, usando apenas os versículos do TR Marcos 16:16 e Atos 8:37 50. Essa declaração impressionante do Texto Recebido é composta pela afirmação na introdução de que foi tomado o cuidado de “afixar textos das escrituras na margem, para confirmação de cada artigo em nossa Confissão; em cuja obra nos esforçamos cuidadosamente para selecionar as que são mais claras e pertinentes para provar o que é afirmado por nós” 51. Sem dúvida, tudo o que foi sentido sobre leituras peculiares do TR - eles poderiam ser os versículos “mais claros e pertinentes” para doutrina. De fato, desde a “Sagrada Escritura. . . nada em qualquer momento deve ser adicionado” 52, as igrejas que emitiram a confissão teriam rejeitado o desvio de 7% no TC e 1% no TM como erro grave; tais alterações certamente não teriam sido um “não problema” ou “preferência” que não merecem ser discutidas. O Credo Ortodoxo Batista Geral de 1679 escreve 1 João 5:7 no o texto e o referencia cinco vezes 53, mais do que qualquer outro versículo mencionado. Refere o TR “Deus [o TC diz: “aquele”] se manifestou na carne” em 1 Timóteo 3:16 54. Usa a frase “o amor. . . ele deu a sua vida” em 1 João 3:16, encontrado na KJV baseado no TR Scrivener 55, para provar a communicatio idiomatum, juntamente com as leituras do TR de Atos 20:28 e João 3:13 56. Atos 20:28 também é citado em dois outros lugares da confissão 57. Marcos 16:9-20 é referenciado cinco vezes 58, Marcos 9:46 (sem também referenciação v. 48, encontrada tanto no TC como no TR; a leitura exclusiva do texto recebido foi considerada suficiente) 59, e Atos 8:37 são empregados duas vezes 60. As confissões batistas empregavam o Texto Recebido das Escrituras.
Os batistas na América dependiam do material confessional batista inglês, que apoiava o Texto Recebido. Os primeiros batistas gerais americanos parecem ter reconhecido a Standard Confession de 1660 61, enquanto a Associação Calvinista da Filadélfia empregou a Segunda Confissão de Londres de 1677 62, que “influenciou os batistas em geral e foi talvez a mais influente de todas as confissões. Os convênios da igreja local ainda refletem sua perspectiva e resumem suas doutrinas. . . . era [frequentemente] referido na América como “a confissão batista””63. O único americano possível concorrente confessional da Segunda Confissão de Londres, impressa pela Associação de Filadélfia e outras posteriormente, é a Confissão de Fé de New Hampshire de 1833, que recebeu uma ampla circulação através da sua inclusão nos manuais da igreja de Edward Hiscox e J.M. Pendleton, e foi adotada, com pequenas mudanças, por grupos como a Associação Geral Fundamentalista 64 das Igrejas Batistas Regulares 65 e a Associação Batista Americana do movimento Landmark 66. A Convenção Batista do Sul também se baseou nela em sua influente declaração de fé de 1925.
A Nova Confissão de New Hampshire 67 cita Atos 8:37,68 referencia o final longo de Marcos 69, aceita a versão de Texto Recebido de Lucas 22:19-20 70, refere-se ao TR “justificados pela fé, temos paz (o TC diz: “tenhamos paz”) com Deus” em Romanos 5:1 71, e o “me livrou (o TC diz: “te livrou”) da lei do pecado e da morte” em Romanos 8:2 72. Outros materiais confessionários batistas americanos originais, como os Artigos de Fé fundamentalista de 1923 da Baptist Bible Union of America, também emprega leituras do Texto Recebido, como o longo final de Marcos e Lucas 24:51 73. As confissões batistas americanas continuam a prática batista inglesa de empregar o Textus Receptus. Para os batistas continentais, ingleses e americanos 74, o Texto Recebido era a Bíblia. As igrejas que confessaram a fé desses documentos afirmaram isso através de seus textos de prova e citações de leituras distintas do TR. Nenhuma sugestão de controvérsia sobre essa referência aparece e o TC e o TM são inteiramente ausentes. Este testemunho confessional unânime evidencia uma aceitação batista universal do TR por centenas de anos desde a era da Reforma até os tempos modernos.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira

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12. Às vezes, as confissões citam versículos em que são encontradas variantes entre TR, TC e TM, mas nada contextualmente indica qual dos três é empregado. Referências deste tipo não foram apresentadas como evidência neste estudo. No entanto, uma vez que a base textual para uma confissão tenha sido estabelecida, supõe-se legitimamente que essas referências empreguem o tipo de texto bíblico em outro lugar citado.
13. Naturalmente, a menção de uma confissão nesta composição não indica sua absoluta harmonia doutrinária com a posição do autor deste artigo. Atualmente, apenas baixo criticismo estão disponíveis.
14. Article #1, cited from pg. 25, Baptist Confessions of Faith, William J. Lumpkin, Valley Forge, PA: Judson Press, 1969 (rev. ed.).
15. Article #6, pg. 28, ibid.
16. Discipline of the church, how a Christian ought to live (Ordnung der Gemein, wei ein Christ leben soll), 1527, article #9, pg. 34, ibid.
17. pgs. 44-45, ibid.
18. Article VII, XVI, XXV, XXIX, XXX, XXXI pg. 48, 52, 58, 59, 60, ibid.
19. Article XXXI, pg. 60, ibid.
20. Article VIII, pg. 49, ibid.
21. Article XXIV, pg. 58, ibid.
22. pg. 115, ibid.
23. pg. 117, ibid.
24. Article 5, pg. 118, ibid.
25. Article 10, pg. 119, ibid.
26. pg. 123-124, ibid.
27. Article 43, 61, pg. 131, 135, ibid.
28. Article 46, pg. 132, ibid.
29. pg. 152, ibid.
30. Article 39, pg. 167, ibid.
31. ibid.
32. Article 18, pg. 161 ibid.
33. Article 40, pg. 167, ibid.
34. Article 52, pg. 168, ibid. O ponto doutrinário apresentado na confissão só é claro se a leitura do TR for seguida.
35. Article 20, pg. 178, ibid.
36. Article 35, pg. 180, ibid.
37. Article 29, pg. 195, ibid.
38. Article 2, pg. 198, ibid.
39. A página de rosto representava o documento como “Uma Confissão da Fé de Várias Igrejas de Cristo no Condado de Somerset e de algumas Igrejas nos Condados mais próximos”. Pg. 203, ibid.
40. Article 42, pg. 214, ibid.
41. A confissão foi originalmente intitulada Uma Breve Confissão ou Declaração de Fé, apresentada por muitos de nós, que são (falsamente) chamados Ana-Batistas, para informar todos os Homens (nestes dias de escândalo e censura) de nossa inocente Crença e Prática; pelo qual não apenas estamos decididos a sofrer perseguição, a perda de nossos bens, mas também a própria vida, em vez de recusar o mesmo.
42. Article 4, pg. 225, Baptist Confessions of Faith, Lumpkin.
43.  Article 7, pg. 227, ibid.
44. Artigo 22, pág. 231, ibid. Desde que o TC apenas deixa Atos 1:9 incontestado, que não afirma explicitamente que Cristo subiu ao céu, qualquer confissão que declare a doutrina da ascensão de Cristo quarenta dias após Sua ressurreição está ensinando uma doutrina de Texto Recebido peculiarmente.
45. Citado na introdução à confissão, pág. 669, no The Trinity Hymnal, Baptist Edition (Grand Rapids, MI: Igreja Batista Reformada de Grand Rapids, 2004). Este hinário e, portanto, a confissão a ele associada, é muito utilizado hoje.
46. Chapter 2:3, pg. 253, Baptist Confessions of Faith, Lumpkin.
47. Chapter 7:2, 8:4, 19:2, pg. 253, 262, 291, ibid.
48. Capítulo 2:3, pág. 253, ibid; a Confissão declara “o Filho é eternamente unigênito do Pai”, e prova isso em João 1:14,18.
49. A doutrina da communicatio idiomatum é “por causa da Unidade da Pessoa de [Cristo], aquela que é apropriada a uma natureza, às vezes nas Escrituras é atribuída à Pessoa denominada por outra natureza” (Segunda Confissão de Londres, 8:7, pág. 262, ibid, itálico e maiúsculas reproduzidas do original). A doutrina é amplamente ilustrada nos versículos do Texto Recebido, citados pela Confissão para provar isso, Atos 20:28 e João 3:13.
50. Chapter 29:2, pg. 291, ibid.
51. pg. 246, ibid.
52. Article 1, pg. 250, ibid.
53. Article 3, 5, 24, pgs. 299, 300, 315, ibid
54. Article 6, pág. 300-301, ibid. O versículo não prova o argumento apresentado no sexto artigo sem a leitura “Deus”.
55. O grego tou Theou está ausente no TM e no TC. Não está em itálico na KJV de 1611, mas aparece em itálico na revisão de 1769, quase universalmente em uso hoje. Ele aparece no Textus Receptus, editado por Scrivener e em conformidade com a Versão Autorizada.
56. Article 7, pg. 301, ibid.
57. Article 6, 9, pg. 300, 303, ibid.
58. Article 9, 17, 18, 28, 31, pg. 303, 309, 310, 317, 321, ibid.
59. Article 10, pg. 304, ibid.
60. Article 23, 28, pg. 314, 317, ibid.
61. pg. 347, ibid.
62. pgs. 348-353, ibid.
63. pgs. 352-353, ibid.
64. A palavra "fundamentalista" é empregada aqui para aqueles que a aceitariam como uma auto-designação. É empregado descritivamente, não como elogio ou algo pejorativo.
65. pág. 382, ibid. A Associação Batista Conservadora em 1947 também declarou que sua “breve e simples confissão. . . é apenas uma reafirmação da substância das históricas Confissões de fé de Filadélfia e New Hampshire” (p. 383, ibid.)
66. “Este órgão reafirma sua aceitação da confissão de fé de New Hampshire; mantidos por tanto tempo por nosso povo batista americano” (“Declaração Doutrinária da Associação Batista Americana”, aparecendo pela primeira vez em seu livro de 1944, citado na p. 378, Lumpkin, Baptist Confessions of Faith).
67. A edição empregada encontra-se nas páginas 543-563 de Principles and Practices for Baptist Churches, Edward T. Hiscox, Grand Rapids, MI: Kregel, n.d. (anteriormente denominado Novo Diretório). Embora esta seja uma impressão muito influente da confissão, não se pode presumir que toda impressão da confissão inclui essas referências de versículos (a versão reimpressa nas Baptist Confessions of Faith de Lumpkin, págs. 361,367 não inclui nenhuma). No entanto, informações úteis sobre as visões batistas americanas ainda são fornecidas. A história da confissão, incluindo a inclusão geral e antecipada de textos de prova, é discutida nas páginas. 538-542 de Principles and Practices de Hiscox.
68. Article 15, pg. 557, Hiscox, Principles and Practices.
69. Article 15, pg. 557, ibid.
70. Article 16, pg. 558, ibid.
71. Article 9, pg. 552, ibid.
72. Article 13, pg. 556, ibid.
73. Article 18, pg. 389, Lumpkin, Baptist Confessions of Faith.
74. O exame detalhado das confissões batistas de outros lugares não será realizado neste estudo. Eles geralmente demonstram dependência de material anterior em inglês ou americano e, consequentemente, favorecem o Texto Recebido; por exemplo, os “batistas brasileiros, um dos maiores e mais vigorosos dos grupos batistas mais jovens, há muito reconhecem a Confissão de Fé de New Hampshire” (pág. 421, ibid.), uma confissão do TR. O material confessional composto de forma independente também emprega o Texto Recebido; por exemplo, as igrejas russas associadas a Ivan Prokhanov que ingressaram na União Batista na década de 1940 empregaram uma confissão que cita repetidamente o longo final de Marcos (págs. 423, 426, 429, ibid.), apoia a leitura do TR “igreja de Deus” em Atos 20:28 (pág. 428, ibid), e emprega exclusivamente o Texto Recebido em Atos 8:37 como o único suporte para uma importante afirmação doutrinária sobre o batismo (pág. 426, ibid.).

A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO
DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA



III. CONFISSÕES BATISTAS SUPORTAM A SUPREMACIA DA BÍBLIA KING JAMES

Além do apoio ao Textus Receptus, as confissões batistas apoiam a supremacia da Versão Autorizada em Inglês. O material confessional após a composição e o estabelecimento 75 da KJV no século XVII emprega essa Bíblia em inglês. A Fé e Prática Batista Geral de 1651 segue a AV em suas citações de versículos encontrados na confissão 76, assim como a Confissão Batista Particular Somerset de 1656 77. A Confissão Standard de 1660 emprega a KJV 78 e inclui (como muitas outras confissões) a interpretação tradicional da AV dos monogenes como “unigênitos” 79, em vez das alternativas modernas “único” 80, que minam a doutrina trinitária histórica da geração eterna do Filho, a saber, nas palavras do Credo Ortodoxo, que Ele é “eternamente gerado pelo pai” 81. O Credo Ortodoxo cita consistentemente a KJV 82, apoia sua visão de que ha'almah em Isaías 7:14 indica que Cristo nasceu de uma "virgem" e não apenas de uma “jovem” 83, e sua reprodução de mimey ‘olam em Miquéias 5:2 como uma predição de que o Filho de Deus é “desde a eternidade”, ao invés de um ser criado “dos tempos antigos” na tradução ariana, unitariana e da moderna crítica textual (veja NVI, BLH, ARA, NTLH, etc.). A confissão que apoia A Segunda Confissão de Londres de 1677 cita a KJV, aceitando características de tradução como a “examinais” na forma imperativa em vez de “vocês examinam” indicativa em João 5:39 e o Senhor Jesus como “autor e consumador da fé” em Hebreus 12:2 85. A Confissão de New Hampshire indica que a KJV “Jeová” (Êxodo 6:3, Salmos 83:18, Isaías 12:2, 26:4) ao invés da alternativa moderna “Yahweh” é o nome de Deus 86, em acordo com o AT tradicional hebraico, a segunda Bíblia rabínica de 1524-5, editada por Ben Chayyim, traduzida literalmente 87, em vez do AT crítico atual, baseado no manuscrito de Leningrado 88. As confissões batistas refletem a escolha na tradução da versão King James, como fazem sua base textual, o TR. De fato, uma vez que Deus, que faz todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade (Efésios 1:11), não achou adequado que nenhuma versão em inglês do TC ou TM ganhasse aceitação, ou provavelmente até existisse, entre as igrejas de Deus, nos séculos após a Reforma, quando as confissões batistas foram construídas, dificilmente poderia ter sido de outra maneira. As confissões batistas apoiam a Versão Autorizada em inglês.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
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83 Artigo 5, pág. 300, ibid. Sem uma visão messiânica de Isaías 7:14 como uma profecia do nascimento virginal de Cristo, em vez de uma declaração relativa à concepção normal de uma criança nos dias de Isaías, o versículo não se relacionaria com o argumento do artigo.
84 Artigo 4, pág. 299, ibid.
85 A página de título cita Romanos 10:10 e esta seção de João 5:39. Hebreus 12:2 é mencionado no capítulo 14. Observe também 1 Timóteo 2:1-2 no capítulo 24. Veja as páginas. 241, 269, 284, ibid.
86 Artigo 2, pág. 362, ibid.
87 A ideia de que a pronúncia “Jeová” se originou quando as vogais de Adonai foram adicionadas ao Tetragrama, embora difundido, é muito dúbio.
88 O texto de Ben Chayyim aponta completamente o Tetragrama como Yehowah (hwOfhy:),enquanto o TC hebraico remove o cholem (hwfhy:), deixando Yeh-wah, que, como obviamente falta uma vogal, está mais aberto a emenda crítica a uma pronúncia alternativa. Deve-se mencionar que nenhum MSS hebraico existente realmente aponta o nome como “Javé”. Para quem mantém pressupostos bíblicos, é inconcebível que Deus permita que a pronúncia correta de Seu Nome seja perdida (cf. Êxodo 3:15, Salmos 9:10, Provérbios 18:10, Joel 2:32, etc.); portanto, o apontamento realmente no texto hebraico deve representar a pronúncia correta, Yehowah ou Jeová (veja “Appendix: The Vocalization of the Tetragrammaton” em "Evidences for the Inspiration of the Hebrew Vowel Points", Thomas D. Ross, http://thross7.googlepages.com; “Jeová”, Scott Jones, http://www.lamblion.net/Articles/ScottJones/jehov1.htm; “Who is this Deity Named Yahweh?” Thomas Strouse, http://www.deanburgonsociety.org/CriticalTexts/yahweh.htm e The Name of God YeHoWaH, which is Pronounced as it is Written, I_Eh_oU_Ah: Its Story,, Gérard Gertoux, Lanham, MD: University Press of America, 2002, pelas defesas da representação tradicional do Tetragrama). Satanás é o único que deseja que os homens neguem ou duvidem do nome de Deus. A diferença entre o Textus Receptus do Antigo Testamento, a Bíblia rabínica de 1524-5 editada por Ben Chayyim, e o atual AT crítico hebraico, adotado em 1937 e o padrão para versões modernas da Bíblia, é explicado nas páginas. 27-28, Defending the King James Bible, DA Waite, Collingswood, NJ: Bible For Today, 1999. Deve-se notar que, estritamente falando, tanto o TR hebraico quanto o TC são edições do texto massorético de Ben Asher, um ponto não claramente destacado na fonte aqui listada.

A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO
DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA



VI. AS CONFISSÕES BATISTAS AFIRMAM A PRESERVAÇÃO VERBAL E PLENÁRIA DO TEXTUS RECEPTUS

Além dos textos originais e em inglês citados em confissões Batistas, declarações diretas sobre a doutrina da preservação podem informar o crente sobre a visão que as igrejas de Cristo nos séculos passados ​​manteriam se confrontadas com a moderna controvérsia textual. A influente declaração Batista Particular True Confession de 1644 afirma que para a “Igreja [Cristo] fez as promessas e deu os selos de sua Aliança, presença, amor, bênção e proteção: Aqui estão os sagrados Oráculos como no lado da arca, certamente mantido e puramente ensinado 89”. Como o autographa foi colocado na arca da aliança (Deuteronômio 31:26) e perfeitamente preservado para Israel, a confissão afirma que a igreja, pela graça de Deus, preservou perfeitamente a Palavra de Deus. Além disso, a igreja não apenas “seguramente” manteve a Palavra, mas também a “puramente ensinou” - o texto preservado era o que estava em uso entre o povo de Deus.
Os pressupostos confessionais de preservação verbal, plenária, disponibilidade perpétua e a igreja como guardiã das Escrituras do Novo Testamento são consistentes apenas com a posição textual do TR. Nem o TC nem o TM afirmam estar perfeitamente preservados. O TC não estava em uso há centenas de anos, mas é supostamente uma restauração de um texto mais puro do que o recebido pelas igrejas desde (pelo menos) a era da Reforma até o século XIX. A forma de texto do TM também não estava disponível e em uso há séculos, já que o TR era o único texto grego vindo da imprensa e sendo traduzido em várias línguas para alimentar o rebanho de Deus. A doutrina da preservação apresentada na True Confession de 1644 é consistente apenas com a posição Texto Recebido. A eminente Segunda Confissão de Londres de 1677 contém uma afirmação poderosa da preservação das Escrituras. Ela afirma:
O Antigo Testamento em hebraico (que era o idioma nativo do povo de Deus na antiguidade) e o Novo Testamento em grego (que na época em que ele era escrito era o mais conhecido pelas nações), sendo imediatamente inspirado por Deus e, por seu singular cuidado e providência mantidos puros em todas as eras, são, portanto, autênticos; Assim como em todas as controvérsias da religião, a Igreja finalmente deve apelar para eles. Mas porque essas línguas originais não são conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e se interessa pelas escrituras, e é ordenado no temor de Deus que as leia e as examine; portanto, elas devem ser traduzidas para a linguagem comum de toda nação, para a qual elas estão disponíveis, que a Palavra de Deus habitando abundantemente em todos, eles podem adorá-lo de uma maneira aceitável, e pela paciência e conforto das Escrituras possam ter esperança 90.
A confissão promete que Deus manteria Sua Palavra “pura em todas as eras”. A “Sagrada Escritura entregue pelo Espírito” originalmente inspirada é que “as Escrituras assim entregues, [nas quais] sua fé é finalmente resolvida” 91, preservadas perfeitamente para o tempo da composição da confissão no texto disponível diariamente vivida e suportada. Essa expressão de preservação na Segunda Confissão de Londres rejeita a filosofia dos restauracionistas subjacente ao TC, juntamente com o (menor grau de) corrupção que o TM pressupõe no Texto Recebido pelas igrejas. Também rejeita a afirmação ruckmanita de inspiração direta ou preservação de uma tradução (e a visão da Vulgata Latina mantida pelo atual catolicismo contra-reformista atual), uma vez que são as cópias em língua grega e hebraica que são perfeitamente preservadas, não uma alegadamente tradução superior para o latim ou o inglês - de fato, a confissão prova a democracia da igreja com Atos 14:23 e a ordem de “ver o original” 92. O texto “ao qual nada a qualquer momento deve ser adicionado” 93 é o Texto Recebido em Hebraico e Grego . Embora as traduções não sejam autoridades superiores às línguas originais, elas são, no entanto, “a Palavra de Deus. . . as Escrituras”. A confissão afirma, assim como a Bíblia 94, que a Palavra de Deus traduzida com precisão ainda é Escritura autorizada, ainda é a Palavra de Deus. Finalmente, desde que a confissão declara que “a Igreja deve finalmente apelar para [as Escrituras]”, evidencia uma bibliologia fideística ou pressuposicional: “A Autoridade da Sagrada Escritura. . . depende. . . totalmente de Deus. . . o seu autor; . . . deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus 95”. As Escrituras não são estabelecidas pela autoridade anterior e superior da crítica textual; o texto perfeitamente preservado e disponível das Escrituras, o Textus Receptus citado na confissão, julga as críticas textuais. Isso é confirmado pelo “Espírito Santo, testemunhando por e com a Palavra em nossos corações” 96. A Escritura disponível, em uso nos idiomas originais e na tradução para todo o corpo do povo de Deus, é o depósito infalivelmente preservado da verdade de Deus, e a orientação do Espírito Santo do sacerdócio dos crentes, não a raciocínios de um punhado de críticos textuais ou professores de seminário, confirma este texto puro e disponível, este Texto Recebido, em seus corações.
O Credo Ortodoxo Batista Geral de 1679 97 contém uma afirmação poderosa da preservação das Escrituras no TR e sua representação em inglês, a Versão Autorizada. Afirma que “temos as escrituras entregues a nós agora. . . pelas sagradas escrituras que entendemos, os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento, como agora são traduzidos para a nossa língua materna inglesa, dos quais nunca houve qualquer dúvida de sua veracidade e autoridade nas igrejas protestantes de Cristo até o dia de hoje 98”. O Texto Recebido disponível naquele dia, tanto como encontrado nas línguas originais quanto reproduzido na Bíblia King James, constituía a Palavra de Deus preservada, que era universalmente recebida pelos batistas e pela família mais ampla de Deus, “todos os verdadeiros protestantes [que possuem] os artigos fundamentais da religião cristã, contra os erros e heresias de Roma 99”. Essas escrituras disponíveis “são [observe o tempo presente] dadas pela inspiração de Deus” 100; eles são idênticos aos autógrafos e ainda exalam o próprio fôlego de Deus101. A confissão também afirmou que “a autoridade da sagrada escritura [definida como a KJV] depende não da autoridade de qualquer homem, mas somente da autoridade de Deus 102. Os críticos textuais não julgam o Textus Receptus; Preservação divina da Bíblia é pressuposta, e todos os homens devem se submeter a ela. Além disso, as Escrituras, quando na “língua materna” ainda são a “palavra de Deus” 103, os santos sem o conhecimento das línguas originais ainda as têm à disposição e são capazes de julgar a “fé e prática” bíblica 104. O sacerdócio universal dos crentes não é dividido em um santuário interno do sumo sacerdócio, cujos membros, por causa de sua erudição e conhecimento de línguas, são capazes de interpretar a Palavra, e um leigo plebeu incapaz de entender a Bíblia e, portanto, depender dos estudos de seus senhores superiores pontificados.
As confissões batistas afirmam que Deus preservou perfeitamente Sua Palavra originalmente inspirada no Texto Recebido e na Versão King James. Os batistas modernos que fazem o mesmo mantêm a posição histórica. A bibliologia dos defensores do TC e TM está totalmente ausente da literatura confessional batista. 

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
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89. Artigo 18, pág. 87, ibid. A ortografia é dada como encontrada no texto da confissão, sem qualquer atualização no jargão moderno.
90. Article 1:8, pg. 251, ibid.
91. Article 1:10, pg. 252, ibid.
92. Article 26:9, pg. 287, ibid.
93. Article 1:6, pg. 250, ibid.
94. Por exemplo, em 1 Timóteo 5:18, Paulo traduz Deuteronômio 25:4 do hebraico para o grego, depois cita Lucas 10:7 e chama tanto a citação traduzida quanto a língua original não traduzida de “escritura”. Também é digno de nota que sua tradução aqui emprega equivalência formal, não equivalência dinâmica.
95. Article 1:4, pg. 250, ibid.
96. Article 1:6, pg. 250, ibid.
97. Note-se que nem todos os batistas gerais eram arminianos; eles simplesmente teriam rejeitado universalmente a posição de expiação limitada (“particular”) dos batistas particulares. Esta confissão Batista geral, por exemplo, afirma que “aqueles que são efetivamente chamados, de acordo com o propósito eterno de Deus, sendo justificados pela fé, recebem uma medida da santa unção, do Espírito Santo, pela qual certamente perseverarão até a eternidade”. (Artigo 36, pág. 324, ibid.).
98. Article 37, pg. 324-325, ibid.
99. pg. 297, ibid.
100. Article 37, pg. 326, ibid.
101. Considere a afirmação de Cristo em Mateus 4: 4: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” – “sai” (ekporeuomai) é um particípio presente, sugerindo ação contínua. A inspiração (como produto, não como processo) se aplica tanto a cópias preservadas quanto a autógrafos e, em um sentido derivado, a traduções precisas.
102 Article 37, pgs. 324-325, ibid.
103 ibid.
104 ibid.

A CANONICIDADE DO TEXTO RECEBIDO ESTABELECIDO DAS CONFISSÕES BATISTAS DA REFORMA E PÓS-REFORMA Thomas D. Ross       I.       Int...