terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PARTE 2 DE "A VONTADE DE DEUS E A SUA SOBERANIA": JOHN GILL


Tradução do capítulo 11 do livro A Body of Doctrinal Divinity

Esta é a revelada vontade de Deus no Evangelho; em relação aos tipos de intenções, e graciosas considerações de Deus ao homem, e revelar o que antes era Sua secreta vontade em relação a ele; como Ele tinha escolhido alguns para a vida eterna, e os designou para a salvação por Cristo e nomeado a Cristo para ser o Salvador; e Cristo fazendo a vontade de Deus veio do céu a terra para tal, e isto é a vontade de Deus, que esses deveriam ser regenerados e santificados; e “nunca hão de perecer, mas tem a vida a vida (Ef 1:4,5; Jo 6:38; I Ts 4:3; Jo 6:39,40; Mt 18:14). Mas por conseguinte, tudo isto é a revelada vontade de Deus, no Evangelho, contudo, quanto a pessoas neste ponto, esta é em grande medida, uma secreta eleição de Deus, e dessa maneira o restante, pode ser conhecido pelo Evangelho vindo com poder ao coração e pela obra da graça sobre ele, e o conhecimento deveria ser depois buscado; porém não é alcançado senão por quem é favorecido com uma plena convicção de fé; e quanto a outros, ainda que possam, em um julgamento de obras, pela razão de suas declaradas experiências, seus discursos agradáveis e proceder piedoso, deduzir que são eleitos de Deus.
Porém isto não pode certamente ser conhecido, mas pela divina revelação, como foi pelo apóstolo Paulo, que Clemente e outros de seus companheiros cooperadores, tinham seus nomes escritos no livro da vida (Fl 4:3). Esta é a revelada vontade de Deus, que deve haver uma ressurreição da morte, dos justos e injustos; e que todos devem comparecer no julgamento diante do trono de Cristo; que depois da morte deve vir tal julgamento; e ainda que seja revelado, que há um dia fixado, bem como uma pessoa designada para julgar o mundo com justiça; porém, o dia e a hora ninguém sabe, nem os anjos; mas Deus somente. Assim, que sobre tudo, ainda há algum fundamento para esta distinção da secreta e revelada vontade de Deus, porém isto não é completamente claro; há uma mistura, parte da vontade de Deus é ainda secreta e parte é revelada, em relação ao mesmo propósito, como tem sido observado e plenamente mostrado.
A mais acurada distinção da vontade de Deus está no seu propósito e prescrição; ou as ordens e decretos da Sua vontade.
As ordens de Deus, ou seus mandamentos são os que estão declarados nas Escrituras, que devem ser conhecidos pelo homem e é desejável que ele possa ter conhecimento e estar inteirado disso (Mt 7:21, 12:50; Cl. 1:9, 4:12).
Esta é a regra da obediência humana; o qual consiste do temor a Deus e da guarda de seus mandamentos; isto é feito, mas por alguns apenas, e não de forma perfeita; todo pecado é a transgressão disto; quando essas coisas são feitas corretamente pela fé, provindo do amor e para a glória de Deus, todo homem regenerado deseja fazer da melhor maneira e se puder, perfeitamente; mesmo é feito pelos anjos no céu. Deus, pela declaração de Sua vontade, mostra Sua aprovação, que é aceitável a Ele, quando feito corretamente e torna o homem que não faz inescusável, e resulta na aparição da justiça divina em infligir punição a tais pessoas.
Os decretos da vontade de Deus são propriamente falando, Sua vontade; a outra é a Sua Palavra; esta é a regra de Suas próprias ações, Ele fez todas as coisas nos céus e terra em conseqüência dessa Sua vontade, o conselho dela; e esta vontade é sempre feita, não pode ser resistida, frustrada e cancelada; Ele faz tudo o que desejar; “seus conselhos permanecem e os pensamentos de Seu coração são para todas as gerações”; e isto é as vezes cumprido por esses que não tem consideração pela Sua vontade de propósito, e não tem conhecimento disto, mesmo quando a estão fazendo; como Herodes e Pilatos, os judeus e gentios, que estavam contra Cristo (At 4:27-28) e os dez reis, cujos corações Deus pôs a Sua vontade, para dar seus reinos a besta (Ap 17:17) e esta vontade de Deus deve estar na mente de tudo que intencionarmos fazer; dizendo: “Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.” (I Co 4:19, Tg 4:13-15), e isto deve ser de nosso conhecimento e submissão a todo estado e condição de vida, se de prosperidade ou adversidade, ou qualquer coisa que venha a nos acometer, ou a nossos amigos e conhecidos (At 21:14) e isto, propriamente falando, é somente e a única vontade de Deus.
3. Quais são os objetos:
3a. Primeiro, o próprio Deus, não Sua natureza e modo de subsistir; como a paternidade do Pai; a geração do Filho; e a presença do Espírito naturalmente e necessariamente existem e não dependem da vontade de Deus: mas de Sua própria glória; “O SENHOR fez todas as coisas”, que são para Sua própria glória (Pv 16:4). Ele deseja a Sua própria glória em tudo o que faz; como “todas as coisas são feitas por Ele”, como a causa eficiente; e “através dEle”, como sabiamente os distribui; assim é “para ele”, para Sua glória, como a causa final e o derradeiro fim de tudo; e isto Ele necessariamente deseja; Ele não pode mas Sua própria glória; como “Ele não dará Sua glória a outro”; Ele não pode desejar a outro; o que seria negar a Si mesmo.
3b. Segundo, todas as coisas aparte de Deus, se boas ou más, são os objetos de Sua vontade, ou que Sua vontade é de algum modo ou outro interessada em diferenciar, de fato, entre os objetos do conhecimento e poder de Deus e os objetos de Sua vontade; entretanto Ele conhece todas as coisas, em Seu entendimento, e Seu poder alcança tudo o que é possível; porém Ele não quer todas as coisas transmitidas, se a palavra pode ser permitida, ou que possa ter volição, razão do qual, Amesius[1]observa, ainda que Deus seja onisciente e onipotente, não é onivolente (todo-vontade).
3b1. Terceiro, todas as coisas boas.
3b1a. Todas as coisas na natureza; todas as coisas foram feitas por Ele e tudo que foi originalmente bom foi feito por Ele, mesmo “muito bom” e tudo foi feito de acordo com Sua vontade; “tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap 4:11), mesmo os céus, terra e mar,e tudo o que neles há.

3b1b. Todas as coisas em Deus.
O Reino de Deus regula a providência sobre tudo, e se estende a todas as criaturas, anjos e homens e tudo o mais e todos os eventos que sucedem a eles; nenhum pardal cai ao chão sem que seja pela vontade de Deus; “e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu”; na celestial habitação dos anjos; “e os moradores da terra” (Dn 4:35) não há nada que venha suceder que Deus não tenha determinado, ordenado e designado. “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?” (Lm 3:37).

3b1c. Todas as coisas na graça estão de acordo com a vontade de Deus, todas as bençãos espirituais em Cristo, todas as graças dadas aos eleitos em Cristo, antes da fundação do mundo; a escolha deles em Cristo; predestinação para adoção por Ele; redenção pelo Seu sangue; regeneração, santificação e eterna herança; tudo está de acordo com o beneplácito de Sua vontade (2 Tm. 1:9; Ef. 1:3-5, 7, 9, 11; Tg1:18; 1 Ts. 4:3).

3b2. Segundo, todas as coisas más são objetos da vontade de Deus; sendo de dois tipos.
3b2a. A maldade das aflições; quer seja um modo de correção ou de punição: se um modo de correção, como ao povo de Deus, ele está de acordo com a vontade de Deus; não surgiu da terra, nem vem por acaso, mas pela vontade, ordem e desígnio de Deus; em qualidade, quantidade, duração, fins e usos, (Jó 23:14, Mic 6:9, 1Ts 3:3) o qual é consistente com a justiça, santidade, sabedoria, amor e bondade de Deus. Se ele é um meio de punição, é para os homens ímpios e incrédulos; não há razão para queixar-se deles, visto que eles são inferiores ao que realmente mereceriam pelos seus pecados; e não é injusto o que um Deus íntegro infligirá neles (Lm 3:39) todos os julgamentos, calamidades e desastres que vem sobre reinos, nações, cidades e sobre pessoas em particular, são todas de Deus, e estão de acordo com o conselho de Sua vontade (Amós 3:6). Não que Deus faça essas coisas por causa deles; ou que tenha prazer nas aflições ou misérias de Suas criaturas, (Lm 3:33, Ez 18:32) mas com a finalidade de algo superior: as aflições de Seu povo são para o seu bem espiritual, bem como para a Sua própria glória: e a punição dos ímpios é para a glorificação de Sua justiça.

3b1b. Há o mal da falha e da responsabilidade (ou culpa), que é pecado: sobre isto há alguma dificuldade de como a vontade de Deus é participante, consistente com Sua pureza e santidade: que a vontade de Deus é de algum modo ou de outro ocupada com isto é certamente correto; porque Ele determina ou não os acontecimentos: o último não pode ser, em razão de nada suceder sem a permissão dEle (Lm 3:37) ou Ele nem determina, nem permite, quer dizer, que Ele não tem cuidado com isso, nem interesse; e assim os fatos estão fora de Sua área de jurisdição e não estão ao alcance de Sua providência; o que não pode ser admitido e que nenhum cristão dirá, mas os que são inclinados ao ateísmo, sim (veja Ez 9:9, Sf 1:12). Além disso, Beza e outros argumentam que Deus fez uma exceção voluntária em permitir a existência do pecado, não podendo ser mostrado, nem de Sua justiça punitiva, nem de Sua misericórdia: pelo qual pode ser acrescentado, que a presciência de Deus sobre o pecado deva plenamente provar Sua vontade nisso; que a presciência de Deus previra a existência do pecado, é correto; como a queda de Adão, desde que ele fez uma provisão, em Cristo, para a salvação do homem revelado nEle, antes deveria; e assim outros pecados (2 Sm. 12:11, 16:22). Agora certo e imutável pré-conhecimento, tal como o pré-conhecimento de Deus, é criado sobre um certo e imutável motivo; que não pode ser outro do que a vontade divina; a presciência de Deus, certamente, é que tais coisas seriam assim; em razão que Ele determinou em Sua vontade o que deveria de ser.
Para estabelecer esta relação em uma luz melhor, é adequado considerar, o que é o pecado, e o que é relativo a ele: há o ato do pecado, e há a culpa pelo pecado, que é o dever de punir, e a punir própria. Relativo a dois últimos tipos não há dificuldade; que Deus deva querer que o homem por causa do pecado torne-se culpado; seja considerado, julgado, e tratado como tal; ou minta sobre sob a obrigação em punir e punir propriamente; nem que Ele deva puni-lo designando-o e o predestinando para isto (Pv 16;4; Jd 1:4).
A única dificuldade é sobre o ato do pecado; em poder considerá-lo natural ou moral; ou o ato, desordem, irregularidade e viciosidade dele: como em ação, considerando de forma aberta, é de Deus e de acordo com a Sua vontade; sem o qual o discurso de Sua providência, nada pode ser executado; Ele é a fonte e origem de ação e moção; nEle está toda a vida e movimento onde temos a existência (At 17:28) mas então a viciosidade e irregularidade disto, como é uma aberração da lei de Deus e uma transgressão disto, é do homem somente; e não se pode dizer que isso seja a vontade de Deus; Ele proíbe isso, Ele abomina e detesta; Ele não tem prazer nisso; Ele tem olhos puros para até mesmo contemplar isso com aprovação e prazer. Deus não pode se inclinar para o pecado, ou por causa de si mesmo; mas por causa de algum bem que seja provocado por isso; como a queda de Adão, para a glorificação de Sua justiça e misericórdia, em punir em grande extensão a sua posteridade, e salvando outros: o pecado dos irmãos de José, vendendo-o ao Egito, para o bem dele e de seu pai Jacó, e outros; e o pecado dos judeus, em crucificar a Cristo, para a redenção e salvação dos homens. E, além disso, Deus pode permitir um pecado como uma punição para outros; como certamente Ele tem no caso dos Israelitas (Os 4:9, 10,13) dos filósofos pagãos (Rm 1:28) e dos papistas (II Ts 2:9-12). Uma vez mais, ainda que de Deus possa ser dito em tal sentido, desejar o pecado, ainda Ele quer isto em um modo diferente que Ele quer que o seu fim seja bom; Ele não fará isso por si mesmo, nem por outros; mas permite ser feito; e qual não é uma permissão aberta, mas uma permissão voluntária; e é expressada por Deus “dando” ao homem para seu próprio coração luxuriante, e por “sofrimento” ele vai em seu próprio caminho pecaminoso (Sl. 81:12; At 14:16) Ele não deseja isso pela Sua vontade efetiva, mas pela Sua vontade permissiva; e portanto não pode ser imputado como o autor do pecado; desde aqui há uma grande diferença entre Ele fazer e o ser feito por outros, ou ordenar ser feito, somente pode fazê-lo o autor do pecado; e voluntariamente permitindo ou sofrendo isto ao ser feito por outros.

Aguardem para breve a terceira parte...se Deus quiser.