domingo, 19 de outubro de 2008

TRADUÇÃO: ORIENTAÇÕES PARA PREGADORES DE RUA


(Tradução de Definite directions for open-air preaching)
Por Gawin Kirkham

(Nota do site biblebelievers: Este artigo foi tirado do livro "The Open-Air Preacher's Handbook" escrito por Gawin Kirkham. O irmão Kirkham foi secretário da missão “Open-Air” de Londres, Inglaterra. O livro foi publicado em 1890, mas sua mensagem permanece atual para pregadores de rua de hoje)

Dizemos que um pregador de rua somente se torna um, praticando. Não duvido que isso seja correto; como a prática da natação possa ser aprendida na água. Mas como o nadador pode aprender mais facilmente por um pouco de instrução – assim o pregador de rua adquire sua capacidade mais facilmente quando ajudado pela experiência de outros. É esperado, portanto, que as seguintes SUGESTÕES possam ser úteis para esses que desejam “adquirir para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.” (I Tm 3:13).

Um líder é essencial – Alguém deve ser encarregado pelas reuniões, pela escolha do lugar, pela escolha dos hinos e por quem irá falar ao público. Não necessariamente que ele deva ser pregador praticante, ou um bom cantor, mas que ele seja hábil na organização e controle. É desejável também ter um líder de louvor, assim os pregadores não extenuam suas vozes cantando em altas notas.
“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” (I Co 14:40).

A escolha do lugar – Nos vilarejos do interior um ponto de pregação é mais facilmente escolhido do que nos grandes centros. As ruas de um vilarejo ou a praça (se houver) podem ser ocupadas; ou uma fazenda pode ter uma área emprestada pelos proprietários. Mas um “pregador de campo” não é mais popular como nos dias de Wesley e Whitefield. Como regra, é desejável estar perto das casas daqueles que não estão interessados em vir e, portanto, podem ouvir a mensagem de dentro delas. Mas nas cidades não é desejável escolher as vias mais ocupadas, a menos que seja um domingo, quando o tráfego é menor. Uma rua paralela à rua principal é o melhor. Grandes espaços abertos não são satisfatórios, a menos que os ajudantes sejam em bom número e os hinos atrativos. Uma passagem deve sempre ser mantida livre na calçada, assim os pedestres não são obrigados a ir para o meio da rua. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. (Rm 15:2).

A ordem do serviço – Se o pregador está sozinho, como Jonas em Nínive, ele pode começar lendo um capítulo da sua Bíblia, escolhendo um trecho familiar ou que chame a atenção para o seu propósito. Ou ele pode falar confidencialmente para duas ou três crianças até que a curiosidade dos adultos seja despertada e eles reúnam-se a sua volta. Ou ele pode entregar alguns folhetos evangelísticos para os transeuntes e desocupados e encoraja-los a vir e ouvir. Mas se está com auxiliares eles podem fazer melhor a chamada inicial. Então um resumo da lição pode ser lido e uma oração oferecida. Mas se as pessoas não gostarem de ficar lendo e orando, pode começar depois com um primeiro hino. Os discursos, como regra, devem ser breves – falar por dez minutos ou um quarto de hora – com música entre um intervalo e outro; e limitando a reunião por uma hora. Mas o líder instruído não deve restringir a si mesmo a deliberação definitiva para qualquer ordem de como proceder com a reunião, pois a virtude de uma reunião ao ar livre é a liberdade: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (II Co 3:17).

O púlpito ao ar livre – um marco é suficiente quando se fala a um punhado de gente: mas é uma imensa vantagem ficar em um assento ou cadeira, ou sobre uma plataforma, quando ordinariamente se fala a uma multidão na rua. O pregador pode dessa maneira cuidar de sua voz e estar melhor para atender do que se estivesse no mesmo nível de onde se encontram as pessoas. O bom senso de pregadores de rua fica muito em falta quando eles não podem nesse caso prestar o serviço com suas vozes por terem que direcionar-se acima das cabeças das pessoas. Além disso, esse método é bíblico: por lermos no relato de uma grande reunião ao ar livre “na praça, diante da porta das águas” em Jerusalém, afim de que “Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim” e, portanto, “abriu o livro perante à vista de todo o povo; porque estava acima de todo o povo” (Ne 8. 4, 5). Esta é uma observação importante, o único lugar na Bíblia onde o púlpito é mencionado; assim que o pregador de rua é regularmente intitulado para este uso na melhor autoridade.
“...Jotão, foi e pôs-se no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou...” (Jz 9:7).

O valor dos ajudantes – Um dos mais importantes vislumbres para homens e anjos é um pregador solitário, clamando como João, o batista, no deserto, “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 3:2). Mas o que seria mais confortante para o pregador e bom para a obra é ter um grupo de ajudantes. Alguns podem cantar e outros distribuir folhetos. Eles podem ajudar a reunir a multidão; manter a ordem entre as crianças; manter limpo o local e encorajar o pregador pela sua presença e pelas suas pregações. Começando a reunião, em vez de ficarem em um lugar à parte, ou do lado do pregador, esses ajudantes devem estar diante dele, formando assim, parte da audiência e encorajando outros a reunirem-se à volta. Mas como regra, eles não devem interferir em um distúrbio, o que é melhor feito pelo líder, nem devem permitir a entrega de folhetos na reunião enquanto ela está ocorrendo. Fatos como esses distraem tristemente a atenção dos ouvintes, embora seja um procedimento muito comum da parte dos típicos ajudantes ativos. Cristãos devem ser encorajados a estarem em reuniões ao ar livre, mesmo se não puderem auxiliar – senhoras especialmente. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16)

A arte da atração – o pregador tem que primeiro estar seguro de si e então reter seus ouvintes. Como a “música atrai”, boas canções devem ser cultivadas e os cantores devem conhecer que a harmonia e docilidade são mais importantes que mero alarido. Senhoras rendem importante serviço em coros de rua. Solos, duetos, trios e quartetos – podem ocasionalmente ser introduzidos. Mas a música deve estar em harmonia com a pregação e não ser meramente uma bela performance para agradar aos ouvidos. Deve ser apropriado, vívido, abundante e totalmente sob o controle do líder da reunião.

A distribuição de hinários é útil em manter uma audiência junta. A exibição de uma ilustração ou diagrama é um bom modo de se diversificar. Um teclado pode ser comum em pregações ao ar livre; mas outros instrumentos podem ser mais efetivos na condução do canto. Banners também são agradáveis aos olhos; e quando eles têm o nome da igreja ou missão de onde os obreiros vieram são úteis em direcionar as pessoas para esse local. Lâmpadas colocadas estrategicamente são uma grande ajuda em reuniões após o sol de pôr; embora uma luminária de rua possa ser usada quando não se dispuser de meios próprios. Mas esses artifícios devem estar em harmonia com a regra do apóstolo: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” (I Co 9:22)

A arte da pregação – quaisquer meios podem ser utilizados para atrair as pessoas, isso vai depender muito se o próprio pregador for um convidado de fora. Reservado, formal, medida, uma pregação meticulosa não acontecerá. Nem que ele possa ser chamado “um bom pregador” em lugares fechados necessariamente se faça externamente. Vida, fervor e energia são essenciais, como a pólvora é essencial para carregar o tiro. Há diversos estilos para pregadores de rua o qual podem somente ser adquiridos pela prática. A tentação do pregador é confiar demais em seus impulsos e nas circunstancias e assim negligenciar sua base de estudos. Mas se ele quiser ter êxito terá que estudar e seus estudos devem incluir livros e homens e o mundo. A exortação de Paulo a Timóteo é muito importante para pregadores de rua tanto quanto para pregadores regulares: “Persiste em ler, exortar e ensinar,... Não desprezes o dom que há em ti... Medita estas coisas;” (I Tm 4:13-15).

A Bíblia na rua – O pregador deve sempre estar armado com a Palavra de Deus, manejada pelo poder do
Espírito Santo. Não obstante, a Bíblia deve ser usada frugalmente na rua. A lição deve ser lida dela; mas pregando, o melhor é citar do que sempre dar capítulos e versículos, especialmente se isto envolve folhear demasiadamente suas páginas. Há um poder magnético nos olhos humanos; e raramente deve o pastor desviar seus olhos dos seus ouvintes se ele quiser reter a atenção dos mesmos. Mas o pregador que tem grande conhecimento da Bíblia e destreza para citar textos apropriados corretamente em outras coisas semelhantes terá igual sucesso. É conveniente jovens pregadores compreenderem esta lição e como isto os encorajará a posteriormente falar nas ruas. Esses que desejam ser instrumentos do Senhor para salvar almas devem prestar atenção ao comissionamento do Senhor a Ezequiel: “Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.” (Ez 2:7).

O cuidado com a voz – Mas enquanto a Palavra de Deus é pregada, a voz humana é o agente pelo qual ela atinge as pessoas. Como muitos livros estão sendo escritos sobre a arte de falar! E como ainda há tão poucos pregadores efetivos! A voz é rapidamente danificada a céu aberto a menos que seja usada com cuidado. Geralmente o jovem pregador começa em tons altos. Ele se esquece do aviso:
“Comece baixo, fale devagar;
Almeje o alto, inflame-se.”


Sabendo disso, John Wesley disse aos seus pregadores: “Pelo amor de Deus, não gritem.” Não há dúvida que o moderado e sóbrio uso da voz ao ar livre fortalecem-nos como também o peito do pregador. Ainda há tempos quando, devido a alguma condição do corpo ou do clima, ou ambos, a voz do pregador falha. É loucura continuar usando-a. Deveria descansar; e somente depois retornar. Ou se acontecer de ficar um pouco rouco ao falar, isto pode ser recuperado cantando, tomando o cuidado de cantar na parte em que é mais cômoda. Spurgeon tem uma valiosa leitura “A Voz” em sua obra “Lições aos meus Alunos”. “Se pregadores compreendessem as dificuldades em anunciar suas palavras mais distintamente, eles falariam de longe com menos labor e com mais efeito.” “Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta...” (Is 58:1).

O cultivo da Reverência – É verdade que não vamos às ruas para adorar, mas proclamar o Evangelho; contudo, se “nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.”(II Co 4:2), devemos ser reverentes neste templo ao ar livre, tal como em um edifício consagrado. Isto é melhor realizado na presença do Senhor. “... e eis que eu estou convosco todos os dias,” (Mt 28:20). E Sua presença nos previne do espírito de leviandade e superficialidade, que são tão lamentáveis! E são tão comuns em assembléias ao ar livre, tanto na parte de quem prega como na parte de quem auxilia. E esta presença produziu um maravilhoso efeito na reunião “na praça, diante da porta das águas”, como descreveu Neemias 8:6, quando o povo inclinou “suas cabeças e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra.”

Como lidar com interrupções – Mesmo com a melhor organização e os procedimentos mais prudentes, interrupções ocorrerão. Se a polícia interferir, é mais conveniente ceder do que ter uma disputa por nossos direitos.
Se uma rua é bloqueada, a polícia pode interferir em virtude da autoridade neles investida; mas até mesmo se eles estiverem errados, é melhor o pastor reclamar aos seus superiores do que discutir com eles na presença de uma multidão, haja vista que ele representa o Evangelho da Paz. Se um chefe de família reclama, sendo porém frívola a objeção, a polícia é chamada para remover o pastor em tal reclamação que é feita. Ele não pode ser legalmente preso, mas ele pode ser chamado diante de um magistrado por resistir a autoridade legal. Se um bêbedo interferir, é geralmente inútil discutir com ele. A polícia deveria proteger o pastor removendo-o; mas às vezes um ajudante bondoso pode o persuadir a sair.

Se a interrupção é feita por um papista ou por um membro de uma outra seita qualquer, isso significa discussão; e se o pastor começar uma discussão, a pregação termina. Homens que estudaram estas perguntas em todos seus pontos podem discutir; para quem está do lado da verdade nada tem que temer do erro; mas o pregador excepcional mostra a sua sabedoria continuando a sua pregação e recusando a discussão. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.” (Mt 10:16)

Conclusão: (Ec 12:13). O objetivo e o fim da pregação é a glória de Deus e a salvação de pecadores, esses métodos devem ser exercidos, o que deve provavelmente produzir tal fim. Oração, pregação e perseverança são maravilhosas bençãos de Deus. Se um plano falha, outro deve ser tentado. Jovens pregadores não devem se desencorajar, antes, devem ter algum tempo para poder determinar a questão se o Senhor tem a intenção de usá-lo como um pregador de rua ou não. Eles deveriam instar a tempo e fora de tempo, buscando tirar tições fora do fogo. O sucesso será atingido mais provavelmente conectando a reunião ao ar livre com uma em recinto fechado.
A orientação é: “Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.” (Lc 14:23). E enquanto algumas sementes (para mudar a figura) podem cair pela margem da estrada, ou em pedras, ou em terrenos espinhosos, outras caíram em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta (Mt 13:8).